quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O tempo


tic tac, o tempo não perdoa, vejo minhas mãos enrugadas,essas mãos que já escreveram tantas historias, minha pele de pêssego, as minhas curvas a beleza de outrora, agora são apenas recordações, tentei parar o tempo mas sou tão pequenina perante sua força, os cremes caríssimos cirurgias plásticas tudo em vão, como aceitar, levamos uma vida de luta pela nossa independência mas o tempo nos torna outra vez crianças, eu que ainda tinha tanto para fazer,tantas coisas que deixei para amanhã, acreditava ter todo o tempo do mundo, ele escapou me das mãos me tornando idosa, quando tinha a juventude não tinha a sabedoria, era tudo tão momentâneo, intenso, hoje que tenho as minhas certezas me falta a juventude, sinto me jovem mas o meu corpo não corresponde com as minhas vontades,tic tac,no compasso do meu coração, o tempo passou e continua a passar contra mim e contra todos, porque assim têm que ser, passou que eu nem vi, se pudesse voltar atrás , só por uma vez ia ser diferente, o tempo é implacável, minhas rugas esticadas, não me deixam mentir, não abdico da vida que vivi, dos meus amados filhos, netos e bisnetos, mas o tempo  trouxe o que eu mais temia, sou criança outra vez,tic tac,tic tac...

                                                                                                            TEXTO FICTÍCIO.


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